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Dia da Internet mais Segura 2017
O cais grita de dor
O cais está cheio de gente, todo o cais grita de dor. Estão aqui as mulheres, as mães, as velhas com a garganta sufocada e que perguntam numa ânsia:
- Oh, Jesus!
- Talvez não tivesse chegado ainda, talvez esteja já em Leixões.
E um velho pescador explica:
- Está aí a companha do Jacinto. Vem lá ao fundo outra com a vela rasgada. Esperem…esperem.
- E os da Ti Ana?
- Por ora não se sabe deles.
- O meu rico home! O meu rico home!
Reparo num grupo petrificado. Fixo uma mulher alta, ossuda, com cara de cavalo, toda vestida de escuro, que geme baixinho a meu lado. A roupa encharcada pega-se-lhe ao corpo, as mãos magras e tisnadas, de unhas roídas pelo trabalho, fincam-se-lhe no peito para conter os soluços que lho estalam. Geme sempre, e os olhos tem-nos presos ao longe, no negro torvelinho de mar e céu que se confundem. É das poucas que não gritam, é das poucas, talvez, que compreendem…
- E os da Ti Ana?
- Por ora não se sabe deles.
- O meu rico home! O meu rico home!
Reparo num grupo petrificado. Fixo uma mulher alta, ossuda, com cara de cavalo, toda vestida de escuro, que geme baixinho a meu lado. A roupa encharcada pega-se-lhe ao corpo, as mãos magras e tisnadas, de unhas roídas pelo trabalho, fincam-se-lhe no peito para conter os soluços que lho estalam. Geme sempre, e os olhos tem-nos presos ao longe, no negro torvelinho de mar e céu que se confundem. É das poucas que não gritam, é das poucas, talvez, que compreendem…
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Raul Brandão in Os Pescadores
O Doido e a Morte (Excerto)
(…)
E vinham na asa múrmura da aragem
Bater de palmas, risos de cristal,
Rasgando agudas fendas no Silêncio.
Eram Bruxas malditas, pobres Ninfas,
Amantes do Demónio em vez de Pan;
Amam a noite triste e os ermos sítios…
Trocaram seu antigo amor divino
Pela ironia escura e demoníaca;
E as florestas sagradas e o sol claro
Pelos bócos profundos, pela noite,
Pelos silvais espessos e águas ermas
Que a sombra torna lívidas e mortas,
E onde as cousas noturnas se refletem
Desmaterializadas, reduzidas
Ao seu simples e anímico esqueleto…
E outras Bruxas, em bandos luarentos,
Passavam, no ar, dançando em turbilhão
Com alados Demónios coruscantes…
E o Medo, avô remoto de Phantasmas,Sombra ancestral de Deus e da Piedade,
Condensava o luar em frias lágrimas,
Marmorizava os fluídos Longes vagos…
As Figuras da Noite, as Creaturas
Do nosso Pensamento, despertavam
Mal ouviam trotar a Morte… E a lâmina
Da sua Fouce ia, em curva, pelo céu
De horizonte a horizonte; e a sua túnica
Parecia manchar toda a Paisagem…
(…)
Teixeira de Pascoais
SALGADO, Vasco - “The Project
Gutenberg EBook of O Doido e a Morte,
by Teixeira de Pascoais”. Janeiro, 2008 In Teixeira
de Pascoaes. Porto: Renascença Portuguesa. 1913 [consult. em: 17/01/17] (Disponível
em:
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no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or re-use it under
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O Doido e a Morte (Excerto)
THE OLD MAN AND THE SEA
Amazing animated film Ver no Youtube
Na sequência do PAC, o domínio intercultural abordado na língua estrangeira tem vindo a focar autores de renome da literatura norte-americana, entre eles o Prémio Nobel Ernest Hemingway com a sua obra The old Man and the Sea, cujo filme animado se aconselha a ver, claro seguido ou antecedido da obra que lhe deu origem.
O Piloto-Mor
O sr. piloto-mor só abre a boca para ralhar. De quando em quando aquele vozeirão tremendo ecoa na Cantareira e cala-se tudo. Toda a gente tem medo desse homem seco e tisnado, autoritário e duro, de grandes barbas brancas revoltas. Ninguém se atreve a dirigir-lhe a palavra e todos os pescadores, quando ele passa como uma rajada, tiram os barretes da cabeça.
Noutro dia estiveram alguns barcos em perigo.
- O salva-vidas!...
E o salva-vidas lá desceu pelo guindaste até ao rio, mas não apareceu ninguém para o tripular.
- Então ninguém vai?... - perguntou o piloto-mor.
Mas os homens em grupo, encolhidos, não responderam.
- Então vocês têm alma para os deixarem morrer ali à nossa vista
Um mais atrevido disse, por fim:
- Quem lá for, lá fica. O salva-vidas não se aguenta com este mar.
E o vozeirão a sair das barbas brancas:
- Pois então vou eu, com os diabos! Vou eu e fico lá. E vou sozinho se ninguém quiser ir comigo.
Saltou dentro do barco - e com ele uma dúzia de homens.
Noutro dia estiveram alguns barcos em perigo.- O salva-vidas!...
E o salva-vidas lá desceu pelo guindaste até ao rio, mas não apareceu ninguém para o tripular.
- Então ninguém vai?... - perguntou o piloto-mor.
Mas os homens em grupo, encolhidos, não responderam.
- Então vocês têm alma para os deixarem morrer ali à nossa vista
Um mais atrevido disse, por fim:
- Quem lá for, lá fica. O salva-vidas não se aguenta com este mar.
E o vozeirão a sair das barbas brancas:
- Pois então vou eu, com os diabos! Vou eu e fico lá. E vou sozinho se ninguém quiser ir comigo.
Saltou dentro do barco - e com ele uma dúzia de homens.
Raul Brandão In Os Pescadores
As palavras
Nenhum de nós
sabe o que existe e o que não existe. Vivemos de palavras. Vamos até à cova com
palavras. Submetem-nos, subjugam-nos. Pesam toneladas, têm a espessura de
montanhas. São as palavras que nos contêm, são as palavras que nos conduzem.
Mas há momentos em que cada um redobra de proporções, há momentos em que a vida
se me afigura iluminada por outra claridade. Há momentos em que cada um grita:
– Eu não vivi! eu não vivi! eu não vivi! – Há momentos em que deparamos com
outra figura maior, que nos mete medo. A vida é só isto?
Raul Brandão in Húmus (1917)
Foz do Douro
Foz
do Douro. Esta velha, crestada pela desgraça e pelo tempo, com sulcos de
velhice e de lágrimas na cara é que os impele para o mar. E o mar tem-lhos
levado todos. Dobra-se-lhe o corpo exausto, rodilha gasta pela vida. Mas quando
o Inverno chega e a fome aperta, é ela que os injuria:
- Má raios partam o mar! Então quereis morrer
à fome e os mininos?
Se os batéis estão em perigo, corre a costa,
açoitada pelo vento, bebendo as lágrimas e o cuspo do mar, e contendo o coração
em farrapos, com as mãos negras apertadas sobre a tábua rasa do peito.
-
Quem lhe falta tiazinha?
-
O meu filho, o meu neto. Já o maldito me levou o pai, leva-me agora os filhos!
Andou
toda a vida de luto. Viu-os despedaçados nas pedras, e deitou toda a ternura
que tinha para deitar. Mas incita-os, pragueja, empurra-os para que não haja
fome em casa. Só o mar dá o sustento e a morte. Há mais de um mês que dura o
Inverno.
-
Má raios partam o mar!
E
corre com as redes à cabeça, a cesta no braço, e os soluços represados na
garganta, levando o neto atrás de si a rastos para o barco.
-
Tenho chorado tantas lágrimas como aquele mar salgado! ...
PROJETO DE ANIMAÇÃO COMUM 2016-2017
A PINTURA E A LITERATURA


Retrato de Raul Brandão e de sua esposa D. Angelina Brandão, 1928
COLUMBANO BORDALO PINHEIRO
Óleo sobre madeira
22 × 27 cm
22 × 27 cm
assinado e datado
Inv. 651
Historial
Doação dos retratados, em 1930.
Exposições
Barcelona, 1929; Lisboa: mnac, 1957, 87; Lisboa, 1980, 66; Caldas da Rainha: Museu de José Malhoa, 1994, 4, cor.
Bibliografia
MACEDO, 1952, CVX, p.b.; FRANÇA, 1967, vol. II, 265.; FRANÇA, 1981, 75; Caldas da Rainha, 1994, 70, cor.
Doação dos retratados, em 1930.
Exposições
Barcelona, 1929; Lisboa: mnac, 1957, 87; Lisboa, 1980, 66; Caldas da Rainha: Museu de José Malhoa, 1994, 4, cor.
Bibliografia
MACEDO, 1952, CVX, p.b.; FRANÇA, 1967, vol. II, 265.; FRANÇA, 1981, 75; Caldas da Rainha, 1994, 70, cor.
SANTOS, Rui Afonso – “Retrato de Raul Brandão e de sua esposa D. Angelina Brandão, 1928
Columbano Bordalo Pinheiro” [Em linha] Disponível em: <http://www.museuartecontemporanea.pt/pt/pecas/ver/382> [Consult. em: 13 de novembro de 2017]
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A PINTURA E A LITERATURA,
Raul Brandão
Mostra de Cinema de Animação
Mais informações sobre o
evento: http://alpcliaanilupa.wixsite.- Facebook: https://www.facebook.com/
CLIAAnilupa - Página web: http://alpcliaanilupa.wix.com/
clia_anilupa
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Mostra de Cinema - ANILUPA
Raul Brandão

Raul Brandão
1867-1930 Escritor, jornalista e militar |
Olhares sobre…
As Ilhas Desconhecidas
“Um dos mais belos livros de viagem da literatura portuguesa. A mais completa homenagem aos arquipélagos atlânticos.”
O Reino Maravilhoso
"O escritor confessa com frequência saudades de casa, mas também diz que desejava viver uma vida diferente, uma vida nua, como a daqueles açorianos livres e orgulhosos. Quando escreve sobre a Madeira, elogia uma terra fértil, romântica, voluptuosa e feliz, mas também a considera terrivelmente turística, engalanada para inglês ver. Brandão prefere a melancolia aguda dos Açores, uma paisagem visível que traduz uma inquietação interior.
As Ilhas Desconhecidas é um magnífico livro de viagens, mas é muito mais que isso: faz da geografia das ilhas portuguesas uma geografia metafísica, tremenda e maravilhosa. Um reino deste mundo e de outros mundos."
Crítica de Pedro Mexia ao livro As Ilhas Desconhecidas, de Raul Brandão, publicada no Expresso.
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Raul Brandão
Jornal Escolar Notícias Frescas - 1.º Período 16 17
CURIOSIDADES - OITAVOS ANOS
Transferência/Download - Curiosidades Científicas
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CURIOSIDADES - CIÊNCIAS
PRESÉPIO DE NATAL
PRESÉPIO DE NATAL
Presépio elaborado pelos alunos do 4ºA da EB1/JI Fonte da
Moura, sob a orientação da professora Luísa Carvalho. O trabalho realizou-se
num ambiente tranquilo, ao som de melodias de Natal.
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Apelo à participação dos Pais no Notícias Frescas
A Equipa
de Coordenação do Jornal
RBE do Porto - Uma Visão 2016
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RBE Uma Visão 2016
COMEMORAÇÃO DOS 20 ANOS DE REDE DE BIBLIOTECAS ESCOLARES
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Manuela Pargana Silva
Coordenadora Nacional da Rede de Bibliotecas Escolares
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uma história com futuro
«Em 1996 foi lançada a Rede de Bibliotecas Escolares (RBE). Vinte anos depois, 2016 é o ano que dedicamos a celebrar o percurso feito, mas também, e sobretudo, a refletir, a pensar em como podemos responder às exigências dos tempos que vivemos. Tempos de grande aceleração, de crise de valores, de alterações profundas nos modos de perceber e de pensar. Como garantir que seremos abertos, flexíveis, adaptáveis e exigentes para garantir ao nosso público uma formação que lhes permita viver num mundo que ainda não sabemos como será?» LER MAIS
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