PNL - Entrega de prémios da Semana da Leitura 2017



VENCEDORES DO CONCURSO "LER PRAZER - LER P'RA SER”

Foi com enorme prazer que recebemos a comunicação de que a turma B do 4º ano da EB1/JI Fonte da Moura foi a vencedora do 1º prémio, no nível 1º Ciclo do Ensino Básico, no Concurso " Ler Prazer – Ler P’ra Ser". Sob a orientação da respectiva professora, Mónica Gonçalves, os alunos realizaram o filme de animação O Beijo da Palavrinha, apresentado a concurso, no âmbito da celebração da 11ª Edição da Semana da Leitura.
  

A entrega dos prémios do referido concurso, promovido pelo Plano Nacional de Leitura (PNL), ocorreu na tarde de 14 de junho, pelas 15h00, no auditório da APEL, na Feira do Livro, em Lisboa, em cerimónia presidida pelo Ministro da Cultura, pela Comissária do PNL (Teresa Calçada) e pela representante da Rede de Bibliotecas Escolares (Isabel Mendinhos). A acompanhar este grupo de alunos estiveram o Diretor e a Coordenadora das Bibliotecas Escolares do Agrupamento.


PLANO NACIONAL DE LEITURA

CONCURSO LER PRAZER LER P'RA SER


    1º PRÉMIO ATRIBUÍDO AO FILME DE ANIMAÇÃO O BEIJO DA PALAVRINHA     

video
NÍVEL: 1º CICLO

Os alunos do 4º B e a sua professora, Mónica Gonçalves, estão de parabéns.

O filme de animação “O Beijo da Palavrinha”, produzido com base na obra homónima de Mia Couto, venceu o Concurso LER PRAZER LER P'RA SER, uma iniciativa do PNL, no âmbito da 11ª Edição da Semana da Leitura.




        EB1/JI Fonte da Moura            
Clique no Link para Transferir/Download ou Visualizar): O Beijo da Palavrinha 





FICHA TÉCNICA







- Título: O Beijo da Palavrinha
- Modalidade: Trabalho coletivo realizado pela turma do 4º B da EB1/JI Fonte da Moura (24 crianças), sob a orientação da Docente Mónica Gonçalves
- Atividade: Filme de Animação
- Texto de Mia Couto
- Realização/Produção: Docente Mónica Gonçalves






















ENCONTRO COM A ILUSTRADORA ELSA NAVARRO

BIBLIOTECAS DIGITAIS

O Plano Nacional de Leitura renovou o layout da sua Página.
   
A partir deste site temos a possibilidade de aceder à biblioteca digital criada pelo PNL e a outras bibliotecas digitais e materiais multimédia muito interessantes que versam temas pertinentes como a tolerância, o racismo e a violência.
                                                            


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     ►Biblioteca Digital OLP

            BIBLIOTECA DIGITAL OBSERVATÓRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA              

+ler online      +ouvir online                                                                                     
 ▼TODAS AS IDADES▼ DOS 5 AOS 15▼                                  ▼MULTIMÉDIA▼ 






Muito útil para Educação e Cidadania.


VER LIVRO        Mariana Magalhães fala sobre “Os Judeus”
Mariana Magalhães, educadora de infância, fala sobre o seu livro “Os Judeus - Breve história, a diáspora, o holocausto”. Neste vídeo, a autora dá sugestões de como trabalhar o livro em contexto de sala de aula.
Mariana Magalhães apresenta o livro “A Festa de Anos”. O livro aborda a igualdade de género. A autora sugere diferentes formas de usar o livro com crianças de diferentes grupos etários.

Inês Pupo fala sobre “Se só houvesse uma letra”, livro que aborda a tolerância e o respeito, de forma dinâmica e pedagógica.

A autora fala sobre “Os Ciganos: História e Cultura”, um livro informativo que permite conhecer melhor esta comunidade, dando-se ainda algumas sugestões de como abordar o tema em sala de aula.

Luísa Ducla Soares fala sobre o seu livro “Meninos de todas as cores”, um livro sobre racismo para crianças e jovens.

Luísa Ducla Soares explica a importância que “Diogo e a Estrela Cigana” pode ter em contexto de sala de aula e a sua adaptabilidade a outras comunidades e etnias.

Maria Emília Brederode é uma das grandes especialistas portuguesas em matéria de Educação. A especialista fala sobre a importância da educação cívica na escola: a discussão de temas neste âmbito é essencial, desde a participação ativa à democracia dos cidadãos.    

REDE DE BIBLIOTECAS ESCOLARES-APPS PARA EDUCAÇÃO

REDE DE BIBLIOTECAS ESCOLARES

APLICAÇÕES PARA DISPOSITIVOS MÓVEIS



A REDE DE BIBLIOTECAS ESCOLARES, ATRAVÉS DO SEU SITE, DISPONIBILIZA UM CONJUNTO DE APPS PARA DISPOSITIVOS MÓVEIS.


NOVOS LIVROS DIGITAIS NO PLANO NACIONAL DE LEITURA

 PNL
▲CLICA COM O RATO PARA ACEDER▲

SEMANA DA LEITURA CELEBRAÇÃO DA LEITURA

 A Cerimónia de Entrega de Prémios, evento cultural concebido com o intuito de realçar livros, autores e leitores e, ao mesmo tempo, partilhar experiências de leitura, cativando assim, outros leitores, este ano, decorreu no dia vinte e nove de março, no mês de março, na Biblioteca Escolar. A entrega de prémios e certificados de participação e atribuição de menções honrosas, foi precedida da leitura de excertos de obras lidas e da apresentação das razões das suas opções.
 Certos de que a criação de hábitos de leitura e o seu desenvolvimento deriva de um processo lento e contínuo que vai sendo escalado ao longo do tempo, desde tenra idade, a verdade é que, os que se predispõem a percorrer este caminho alcançam um conhecimento mais aprofundado do mundo que os rodeia e adquirem uma sensibilidade excecional que os torna pessoas mais completas, mais tolerantes, mais aptas para as várias mudanças a que estarão sujeitas ao longo do seu percurso de vida. Assim, muito nos apraz divulgar neste Blogue alguns dos excertos lidos pelos referidos alunos e partilhar com a comunidade as fundamentações apresentadas. 

Pé de Vento repõe O TESOURO de Manuel António Pina

TEATRO DA VILARINHA | 13 a 21 de maio | sábados e domingos às 16h00 

Pé de Vento repõe O TESOURO de Manuel António Pina

Espetáculo disponível para público escolar e itinerância | M/10 anos




FICHA TÉCNICA 
Texto: Manuel António Pina
Encenação e Espaço cénico: João Luiz
Interpretação: Rui Spranger
Figurino: Susanne Rösler
Montagem musical: Hugo Valter Moutinho
Construção desenho de luz: Rui Azevedo
Produção: Pé de Vento



O TESOURO, de Manuel António Pina, regressa no sábado, 13 de maioao Teatro da Vilarinha, no Porto, onde permanecerá em cena até 21 de maio, sábados e domingos às 16h00. Trata-se de um espetáculo para m/10 anos, encenado por João Luiz e com interpretação de Rui Spranger que a companhia Pé de Vento estreou pelos 40 anos do 25 de Abril.Tendo em conta o caloroso acolhimento do público, volta agora à cena para mais uma série de representações no Teatro da Vilarinha, permanecendo, igualmente, disponível para a itinerância.
A partir deste pequeno conto construímos um espetáculo onde várias e diversas lembranças, sobretudo auditivas, se misturam, fundindo-se numa nova realidade operando a metamorfose da própria cena, como um dos símbolos da transformação ocorrida no seio da sociedade portuguesa, sobretudo com a chegada desse bem tão precioso que se chama «liberdade».


LANÇAMENTO DO NOVO LIVRO DE ANA LUÍSA AMARAL


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Dia 6 de maio na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, às 17:00.

                                       ONDAS GRAVITACIONAIS: REGISTOS

                                          Explodiram pelo espaço em rota para lá
                                          da imaginação. Não se sabe de Deus
                                          neste processo de fenda de universos
                                          E as palavras hesitam-se, paradas.
                                          Não se ouviu nada, nada foi visto
                                          claramente visto, mas é o que se chama
                                          nesta língua de nós, criada e aprendida
                                          em formato de azul: registo
                                         
                                                      Ana Luísa Amaral, What’s in a Name


O Diário de Anne Frank

Raul Brandão


SEMANA DA LEITURA

SEMANA DA LEITURA
APRESENTAÇÃO DE PROJETOS INDIVIDUAIS DE LEITURA NA BIBLIOTECA ESCOLAR
 



Dicionário de personagens
1.   Indica a personagem de que mais gostaste ou aquela com quem mais te identificaste?

  - A personagem de que mais gostei foi o Chapeleiro Louco.


2.      Elabora uma pequena caracterização física e psicológica desta personagem.
        - O Chapeleiro é um homem com o cabelo ruivo desgrenhado, é alto, usa uma cartola grande e está sempre acompanhado pela Lebre de Março. É excêntrico e louco, é charmoso e adora chá.
3- Explica por que gostaste/te identificaste com esta personagem?
          - O Chapeleiro parece ser uma pessoa arrogante, mas é muito amigo das pessoas, tem uma personalidade diferente, é supercarinhoso, especialmente, com Alice e com a sua melhor amiga. Além de ser extremamente cortês, é também uma personagem diferente do habitual, uma vez que, por mais problemas que surjam, ele só quer a paz e tenta ver sempre o lado positivo das situações, ajudando sempre quem precisa.

SEMANA DA LEITURA


CELEBRAÇÃO DA LEITURA

A Cerimónia de Entrega de Prémios, evento cultural concebido com o intuito de realçar livros, autores e leitores e, ao mesmo tempo, partilhar experiências de leitura, cativando assim, outros leitores, este ano, decorreu no dia vinte e nove de março, na Biblioteca Escolar. A entrega de prémios, certificados de participação e atribuição de menções honrosas foi precedida da leitura de excertos de obras lidas e da apresentação das razões das suas opções.
Certos de que a criação de hábitos de leitura e o seu desenvolvimento deriva de um processo lento e contínuo que vai sendo escalado ao longo do tempo, desde tenra idade, a verdade é que, os que se predispõem a percorrer este caminho alcançam um conhecimento mais aprofundado do mundo que os rodeia e adquirem uma sensibilidade excecional que os torna pessoas mais completas, mais tolerantes, mais aptas para as várias mudanças a que estarão sujeitas ao longo do seu percurso de vida. Assim, muito nos apraz divulgar neste Blogue alguns dos excertos lidos pelos referidos alunos e partilhar com a comunidade as fundamentações apresentadas.  

PALESTRA SOBRE OBRAS DE RAUL BRANDÃO

PORTUGAL PEQUENINO, AS ILHAS DESCONHECIDAS E OS PESCADORES 

28 DE MARÇO NA BIBLIOTECA ESCOLAR DA MANOEL DE OLIVEIRA


RAUL BRANDÃO (1867 – 1930)

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS MANOEL DE OLIVEIRA
BIBLIOTECAS ESCOLARES
PROJETO DE ANIMAÇÃO COMUM 2016/2017
RAUL BRANDÃO (1867 – 1930)

COMEMORAÇÃO DOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DO AUTOR


Raul Germano Brandão nasceu a 12 de março de 1867 no Porto e morreu a 5 de dezembro de 1930, com 63 anos. Foi autor de uma influente obra literária e jornalística, que inclui obras como Húmus (1917), Os Pescadores (1923) ou As Ilhas Desconhecidas (1926).


 Raul Brandão

Saúde Oral Bibliotecas Escolares (SOBE)

    Comemoração do Dia Mundial da Saúde Oral - Projeto SOBE     

      Programa

Notícias Frescas - 1995 a 2008

Tertúlias à moda do Porto


auditório
Biblioteca Municipal Almeida Garrett
de Sábado, 04/03/2017 a Sábado, 02/12/2017
às 15h00

AGUSTINA BESSA-LUÍS E MANOEL DE OLIVEIRA

A LITERATURA E O CINEMA

«Agustina Bessa-Luís é uma das mais consagradas escritoras da
contemporaneidade portuguesa. Não será de estranhar que Manoel de Oliveira tenha recorrido ao seu talento para transpor os seus livros para a sétima arte.
Essa colaboração inicia-se com o filme Francisca, em 1981, que completa a "tetralogia dos amores frustrados", a partir do romance Fanny Owen.
Em 1993, Oliveira adaptou um outro livro, Vale Abraão, cujo nome é o mesmo do filme. Constroem a imagem de um Douro de rituais vinhateiros e de desejos imaginários e analisam a inevitável atracção que ele exerce sobre as personagens. Nos dois olhares, o do cinema e o da escritora, projecta-se o Douro das palavras, das imagens, dos planos narrativos e dos planos cinematográficos. A crítica recebeu com agrado esta obra, tendo obtido com ela vários prémios internacionais.

PAC 2016/2017

O Mar na Literatura

Os professores da disciplina de Inglês do 3ºCiclo decidiram participar no PAC 2017 (Projeto de Animação Comum) desenvolvido todos os anos pela Biblioteca Almeida Garrett. Uma vez que o autor selecionado para divulgação e exploração este ano é Raul Brandão e sendo um dos seus livros mais conhecidos Os Pescadores, as professoras de Inglês consideraram interessante lançar o desafio aos alunos interessados e motivá-los a fazer trabalhos de pesquisa sobre o papel do mar na literatura inglesa e americana e sobre dois escritores norte-americanos de renome e reconhecido valor literário – Ernest Hemingway e Herman Melville. As obras selecionadas foram Moby Dick e The Old Man and the Sea. Da primeira existe uma versão adaptada – reader- na biblioteca escolar, sendo essa a obra lida e analisada por alguns alunos; a segunda, dada a inexistência de uma versão simplificada, foi lida na íntegra.
Pretendeu-se, assim, dar a conhecer os dois autores, concretizar um trabalho de intertextualidade e interdisciplinaridade e fomentar o gosto pela leitura em língua estrangeira, desenvolvendo-se assim o domínio intercultural.

 https://www.internetsegura.pt/dia-da-internet-mais-segura-2017   
 Quiz INES Testa os teus conhecimentos        internetsegura.pt
 http://www.seguranet.pt/pt

 Joga e Aprende       

Pisca Mega Quiz       

O cais grita de dor

O cais está cheio de gente, todo o cais grita de dor. Estão aqui as mulheres, as mães, as velhas com a garganta sufocada e que perguntam numa ânsia:
   - Oh, Jesus!
   - Talvez não tivesse chegado ainda, talvez esteja já em Leixões.
    E um velho pescador explica: 
   - Está aí a companha do Jacinto. Vem lá ao fundo outra com a vela rasgada. Esperem…esperem. 
   - E os da Ti Ana?
   - Por ora não se sabe deles.
   - O meu rico home! O meu rico home!
   Reparo num grupo petrificado. Fixo uma mulher alta, ossuda, com cara de cavalo, toda vestida de escuro, que geme baixinho a meu lado. A roupa encharcada pega-se-lhe ao corpo, as mãos magras e tisnadas, de unhas roídas pelo trabalho, fincam-se-lhe no peito para conter os soluços que lho estalam. Geme sempre, e os olhos tem-nos presos ao longe, no negro torvelinho de mar e céu que se confundem. É das poucas que não gritam, é das poucas, talvez, que compreendem…


Raul Brandão in Os Pescadores

                         
                   Augusto Gomes, Tragédia do Mar                                              José João Brito, “Tragédia do Mar” 
                                           Pintura                                                                                          Escultura

O Doido e a Morte (Excerto)



(…)
E vinham na asa múrmura da aragem
Bater de palmas, risos de cristal,
Rasgando agudas fendas no Silêncio.
Eram Bruxas malditas, pobres Ninfas,
Amantes do Demónio em vez de Pan;
Amam a noite triste e os ermos sítios…
Trocaram seu antigo amor divino
Pela ironia escura e demoníaca;
E as florestas sagradas e o sol claro
Pelos bócos profundos, pela noite,
Pelos silvais espessos e águas ermas
Que a sombra torna lívidas e mortas,
E onde as cousas noturnas se refletem
Desmaterializadas, reduzidas
Ao seu simples e anímico esqueleto…

E outras Bruxas, em bandos luarentos,
Passavam, no ar, dançando em turbilhão
Com alados Demónios coruscantes…

E o Medo, avô remoto de Phantasmas,
Sombra ancestral de Deus e da Piedade,
Condensava o luar em frias lágrimas,
Marmorizava os fluídos Longes vagos…

As Figuras da Noite, as Creaturas
Do nosso Pensamento, despertavam
Mal ouviam trotar a Morte… E a lâmina
Da sua Fouce ia, em curva, pelo céu
De horizonte a horizonte; e a sua túnica
Parecia manchar toda a Paisagem…

(…)
Teixeira de Pascoais

SALGADO, Vasco - “The Project Gutenberg EBook of O Doido e a Morte, by Teixeira de Pascoais”. Janeiro, 2008 In Teixeira de Pascoaes. Porto: Renascença Portuguesa. 1913 [consult. em: 17/01/17] (Disponível em: 
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THE OLD MAN AND THE SEA

              Amazing animated film                Ver no Youtube

 Na sequência do PAC, o domínio intercultural abordado na língua estrangeira tem vindo a focar autores de renome da literatura norte-americana, entre eles o Prémio Nobel Ernest Hemingway com a sua obra The old Man and the Sea, cujo filme animado se aconselha a ver, claro seguido ou antecedido da obra que lhe deu origem.


O Piloto-Mor

O sr. piloto-mor só abre a boca para ralhar. De quando em quando aquele vozeirão tremendo ecoa na Cantareira e cala-se tudo. Toda a gente tem medo desse homem seco e tisnado, autoritário e duro, de grandes barbas brancas revoltas. Ninguém se atreve a dirigir-lhe a palavra e todos os pescadores, quando ele passa como uma rajada, tiram os barretes da cabeça.
  Noutro dia estiveram alguns barcos em perigo.
  - O salva-vidas!...
  E o salva-vidas lá desceu pelo guindaste até ao rio, mas não apareceu ninguém para o tripular.
  - Então ninguém vai?... - perguntou o piloto-mor.
   Mas os homens em grupo, encolhidos, não responderam.

  - Então vocês têm alma para os deixarem morrer ali à nossa vista
  Um mais atrevido disse, por fim:
  - Quem lá for, lá fica. O salva-vidas não se aguenta com este mar.
  E o vozeirão a sair das barbas brancas:
  - Pois então vou eu, com os diabos! Vou eu e fico lá. E vou sozinho se ninguém quiser ir comigo.
  Saltou dentro do barco - e com ele uma dúzia de homens.


Raul Brandão In Os Pescadores


As palavras


Nenhum de nós sabe o que existe e o que não existe. Vivemos de palavras. Vamos até à cova com palavras. Submetem-nos, subjugam-nos. Pesam toneladas, têm a espessura de montanhas. São as palavras que nos contêm, são as palavras que nos conduzem. Mas há momentos em que cada um redobra de proporções, há momentos em que a vida se me afigura iluminada por outra claridade. Há momentos em que cada um grita: – Eu não vivi! eu não vivi! eu não vivi! – Há momentos em que deparamos com outra figura maior, que nos mete medo. A vida é só isto?


      
Raul Brandão in Húmus (1917)

Foz do Douro

Foz do Douro. Esta velha, crestada pela desgraça e pelo tempo, com sulcos de velhice e de lágrimas na cara é que os impele para o mar. E o mar tem-lhos levado todos. Dobra-se-lhe o corpo exausto, rodilha gasta pela vida. Mas quando o Inverno chega e a fome aperta, é ela que os injuria:
- Má raios partam o mar! Então quereis morrer à fome e os mininos?
Se os batéis estão em perigo, corre a costa, açoitada pelo vento, bebendo as lágrimas e o cuspo do mar, e contendo o coração em farrapos, com as mãos negras apertadas sobre a tábua rasa do peito.
- Quem lhe falta tiazinha?
- O meu filho, o meu neto. Já o maldito me levou o pai, leva-me agora os filhos!
Andou toda a vida de luto. Viu-os despedaçados nas pedras, e deitou toda a ternura que tinha para deitar. Mas incita-os, pragueja, empurra-os para que não haja fome em casa. Só o mar dá o sustento e a morte. Há mais de um mês que dura o Inverno.
- Má raios partam o mar!
E corre com as redes à cabeça, a cesta no braço, e os soluços represados na garganta, levando o neto atrás de si a rastos para o barco.

- Tenho chorado tantas lágrimas como aquele mar salgado! ...